Palavras & Sentimentos

Poesias de
Célia Maria Marchini

A palavra, assim como o pincel, é um instrumento de alma. Estas poesias nasceram dos mesmos lugares que as pinturas — do silêncio, da observação, do sentir.

I

Alma

Alma farta de ternura Mergulha no teu encanto Desvenda o meu pranto No seu doce sussurrar. Ah! que nesse romper da aurora Meu pranto aqui chora Vem! Vem! …. Abraça-me por inteira

II

Bênçãos da Coragem

Não te sintas ameaçada pelos temores alheios. Não convoques a tua vida baseada em conceitos que não te dizem respeito. Respeite a ti primeiro. Não deixes que o desrespeito alheio esmoreça seu coração. Mantenha-o num pulsar vivo de coragem. Acredita em ti. É a ti que teus ouvidos devem ceder. O coração é o teu guia.

III

Clareza

Ainda que me custe lágrimas A verdade é mais doce. Lágrimas da verdade é mel, Risos do engano é fel. Véu levanta-te Revela-te Traz claro Prova revelada Pureza resgatada.

IV

Acordo

Sonho, acordo No toque sem retoque Minha alma vibra e acolhe Se inflama ou serena Pronta para sinfonia dos acordes dos seus dedos.

V

Vem que te Espero

Vem que te espero Vem que te quero O que não sei Só sei que quero Só sei que espero Talvez o nunca Talvez não sei.

VI

Por Ti

Por ti mil luzes me acende Por ti sou um fogo flamejante Por ti acalento em meu peito o dom de ver-me em ti. Refletida em mim raios Em ti procuro o espelho Em mim procuro a paz.

VII

Meu Momento

No riacho doce a luz aurora desperta em mim alegrias e sonhos de primavera acalentando um caminho. Que meu caminho não seja derivado de sonhos inúteis, mas sim alegrias renovadoras de aquecimento. Como suspeitar que atrás de muros horrendos há tesouros — e quando temos coragem de escalar, um novo horizonte aparece em nossa vida.

VIII

Pisa Leve

Se eu demoro não é por medo, mas por cuidado. Os pés se tornam cuidadosos quando cansados de andar por espinhos. Pisa leve e suave procurando entre os espaços o aconchego e a carícia. Se eu demoro na escalada sem pressa é para sentir todos os abraços que me fortalecem — para que quando estiver no alto do muro olhando o novo horizonte não descubra que o tesouro eram os espaços que encontrei entre os espinhos.

Célia Maria Marchini
Artista plástica & escritora